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O AB2L Lawtech Experience 2026 abriu suas portas nesta quarta-feira (13) no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, reunindo mais de 8.000 participantes, 1.300 departamentos jurídicos e escritórios e mais de 300 palestrantes para dois dias de discussão sobre o que já está transformando o setor jurídico na prática. A Lawletter está presencialmente no evento fazendo a cobertura completa para quem não conseguiu ir.
O evento
Em sua 5ª edição, o AB2LEX consolidou-se como o maior congresso de inovação jurídica do mundo. A programação cobre inteligência artificial aplicada ao Direito, gestão, compliance, novas formas de prestação de serviços jurídicos e as tendências que estão redesenhando a profissão. Mais de 100 lawtechs expõem soluções ao longo das duas jornadas, distribuídas em 12 trilhas temáticas.
O que foi debatido no primeiro dia
A inteligência artificial dominou os debates. O diagnóstico que abriu o evento é revelador: em um país com 80 milhões de processos e 1,5 milhão de advogados, apenas 3 das 8 horas trabalhadas diariamente são dedicadas a atividades que exigem especialização jurídica. As demais são consumidas por tarefas burocráticas que já podem ser amplamente automatizadas. Daniel Marques, diretor-executivo da AB2L, acrescentou que 73% dos advogados consideram que a rotina profissional mudou mais nos últimos três anos do que nos 30 anos anteriores, mas apenas 14% se sentem capazes de liderar essa transição.
O impacto prático da automação ganhou exemplo concreto: a Advocacia-Geral da União recebe 8 mil intimações por dia, sendo 6 mil relativas ao Direito Previdenciário. Sem tecnologia para triagem, o volume simplesmente não seria administrável.
O uso de IA por magistrados também entrou na pauta. Pesquisa apresentada no evento aponta que mais de 50% dos juízes brasileiros já utiliza IA na produção de sentenças. O Brasil é um dos poucos países com norma específica sobre o tema, a Resolução 615 do CNJ, de julho de 2025. Ao mesmo tempo, os riscos foram destacados: em 2025, o TJDFT anulou uma sentença que continha alerta de produção via IA, e um sistema de IA utilizado por um tribunal trabalhista identificou um prompt oculto em petição que tentava manipular a ferramenta para obter resultado favorável, prática conhecida como prompt injection.
A questão dos limites da tecnologia também foi colocada com clareza. A advogada Livia Sancio lembrou frase da ministra Daniela Teixeira, do STJ, no sentido de que enquanto a IA não tiver empatia, não pode julgar. Para Sancio, há dimensões do trabalho jurídico que são exclusivamente humanas e não serão substituídas por nenhuma ferramenta.
Outro painel chamou atenção para os efeitos colaterais da aceleração tecnológica. A advogada Gláucia Campolina alertou que a tecnologia não necessariamente trouxe mais tempo livre, e sim mais sobrecarga e ansiedade digital. Ela recomendou pausas regulares durante o trabalho e o afastamento de telas pelo menos uma hora antes de dormir.
No campo dos departamentos jurídicos corporativos, Fernanda Rocha, diretora jurídica da Energisa, observou que o setor deixou de ser apenas centro de custos e passou a contribuir com a recuperação de créditos da empresa. Ela prevê departamentos menores nos próximos cinco anos, porém com produtividade crescente.
O que a Lawletter já encontrou no evento
Passando pelos expositores, a Lawletter conversou com representantes de três empresas presentes no congresso.
O JusBrasil foi um dos destaques. Lançado em março de 2025, o Jus IA já é utilizado mensalmente por 300 mil advogados no Brasil. A ferramenta responde perguntas jurídicas de forma contextualizada, cria peças processuais editáveis e analisa referências para verificar a validade de documentos e trechos jurídicos. O diferencial declarado é a confiabilidade das respostas, garantida por revisão contínua de especialistas em Direito pelo processo conhecido como Human-in-the-Loop. Recentemente, o Jus IA passou a integrar todos os planos da plataforma, incluindo o gratuito, e ganhou função de notificar movimentações processuais com sugestões de ação para o advogado. Entre as novidades apresentadas no AB2LEX, está o aplicativo que permite ao advogado encaminhar um áudio de cliente diretamente para a ferramenta, que transcreve o conteúdo e já o conecta à elaboração da peça processual.
A ComoRegistrar apresentou sua solução voltada à desburocratização do registro de marcas junto ao INPI. Com mais de 10 anos de atuação e mais de 6.000 marcas protegidas no Brasil e no exterior, a plataforma acompanha o processo do protocolo ao acompanhamento final, monitora andamentos, identifica marcas conflitantes e rastreia usos não autorizados na internet.
A Fácil Espaider, com quase 30 anos de mercado, apresentou sua plataforma de gestão jurídica completa voltada para departamentos e escritórios de médio e grande porte. A solução centraliza contencioso, consultivo, contratos, propriedade intelectual e questões societárias em uma base única, com monitoramento automático de tribunais, controle de prazos e IA integrada para análise preditiva e elaboração de peças.
A nossa ideia é chegar para tirar toda essa burocracia e deixar por conta da nossa equipe jurídica toda a proteção da sua marca.
Mateus · ComoRegistrar · AB2LEX 2026
A gente sempre procura participar de eventos como esse, que é onde estão acontecendo as conversas que definem o futuro do jurídico.
Adriana · Fácil Espaider · AB2LEX 2026
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Redação Lawletter