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A Lawletter acompanhou, nos dias 25 e 26 de junho, em Goiânia, a primeira edição do Advisor Sprint, imersão promovida pela Advisor Educação para advogados que já atuam e querem repensar a direção dos próprios escritórios. Com turma reduzida e formato de mesa de trabalho, o encontro reuniu mentores ligados à advocacia e aos negócios em torno de seis temas, da inteligência artificial à gestão, passando por desenvolvimento comercial, marketing, operações jurídicas e liderança.
A proposta do evento parte de um diagnóstico recorrente no setor: a advocacia forma bons técnicos, mas raramente prepara gestores. Muitos sócios dominam a tese, mas conduzem o escritório no improviso. Ao longo dos dois dias, as conversas giraram em torno de como transformar a operação jurídica em negócio, com método, previsibilidade e governança. Nos bastidores, a Lawletter ouviu alguns participantes sobre temas que atravessam o dia a dia da profissão.
Segundo os idealizadores, o Advisor nasceu da procura de profissionais interessados em entender um modelo mental voltado a negócios aplicado à advocacia. A proposta foi reunir um grupo com competências complementares para discutir o futuro da profissão, dos soft skills à inteligência de negócio e à inteligência artificial, o conjunto de habilidades que, na visão deles, o advogado da próxima década precisará reunir.
Multa à advocacia e o uso de IA nas petições
Em entrevista exclusiva à Lawletter, o presidente da OAB-GO, Rafael Lara, afirmou que não cabe ao Judiciário aplicar multa diretamente à advocacia. Para ele, a multa por litigância de má-fé é uma penalidade processual destinada à parte, não ao advogado. Quando houver indício de conduta irregular, o caminho seria a comunicação à Ordem, para que a própria OAB analise e, se for o caso, encaminhe o profissional ao Tribunal de Ética e Disciplina.
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Multar a advocacia não é papel do Judiciário, não cabe. A litigância de má-fé, que é a multa processual cabível, é destinada à parte. Jamais, em hipótese alguma, a advocacia.
Rafael Lara
Presidente da OAB-GO
Rafael Lara também comentou os casos em que a inteligência artificial gera, em petições, textos legais, súmulas ou jurisprudências inexistentes ou inadequadas. Para ele, a advocacia ainda atravessa uma curva de aprendizado nesse tema. Em Goiás, segundo o presidente, advogados que chegam ao Tribunal de Ética por situações assim podem ser convidados a firmar um termo de ajuste de conduta, comprometendo-se a revisar adequadamente as petições e a fazer um curso sobre uso de IA na Escola Superior de Advocacia. Com isso, o processo fica suspenso, e a penalidade só seria aplicada em caso de reincidência.
O desalinhamento entre sócios
Fernando Gomes Xavier, especialista em gestão estratégica para escritórios, falou sobre os riscos do desalinhamento societário em entrevista exclusiva à Lawletter. Segundo ele, muitos escritórios não deixam de operar por falta de lucratividade, mas por conflitos internos entre sócios: modelos de remuneração considerados injustos, divergências sobre o tamanho e o posicionamento da banca e visões de futuro diferentes.
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Vejo muitos escritórios acabando não por falência, a advocacia continua sendo muito lucrativa, mas por desalinhamento societário, por uma cisão, uma briga de sócios, e sem a governança adequada para seguir.
Fernando Gomes Xavier
Especialista em gestão estratégica para escritórios
Na avaliação dele, brigas societárias, cisões, o falecimento de um sócio e a ausência de governança estão entre os principais fatores que comprometem a continuidade dos escritórios.
Os três pilares da jovem advocacia
Em entrevista à Lawletter, Homero Neto, advogado, professor de MBA e presidente da Comissão da Advocacia Jovem da OAB-GO, falou sobre os desafios de quem começa na profissão. Para ele, a jovem advocacia precisa encontrar caminhos para sobreviver logo após a faculdade, sem perder de vista que uma carreira jurídica é um projeto de médio e longo prazo.
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Temos que focar em três pilares visando o médio e longo prazo: investimento em capacitação técnica e intelectual, network e habilidades laterais.
Homero Neto
Presidente da Comissão da Advocacia Jovem da OAB-GO
Para Homero, esses três elementos ajudam o jovem advogado a se formar de maneira mais completa desde o início da caminhada profissional.
Técnica não basta: a visão de negócio do advogado
Em entrevista exclusiva à Lawletter, Pedro Schmeisser afirmou que a formação tradicional do advogado ainda é muito voltada à técnica e pouco prepara para temas como gestão e negócios. Segundo ele, faculdades, LL.Ms e pós-graduações ensinam o advogado a ser técnico, mas não necessariamente a administrar, tomar decisões estratégicas ou pensar o escritório como uma operação empresarial. A rotina intensa da profissão, observou, agrava esse quadro, já que muitos acabam consumidos pela demanda operacional.
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As faculdades, os LL.Ms e as pós ensinam o advogado a ser técnico, mas não a administrar, tomar decisões estratégicas ou enxergar o escritório como uma operação empresarial.
Pedro Schmeisser
STG Law / Advisor
Para Pedro, desenvolver uma visão de negócio é um diferencial importante, porque o advogado atua, no fim das contas, a serviço de negócios, sejam de pessoas físicas ou jurídicas. Mais do que comentar o Direito, compreender o contexto empresarial do cliente amplia a entrega de valor do profissional.
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