Em 29 de maio de 2026, a análise da ISaidUSaid.com (versão na língua inglesa da EuDisseVocêDisse.com) foi admitida como prova em um processo de guarda nos Estados Unidos.
Para quem acompanha a evolução da inteligência artificial no Direito de Família, esse não é apenas um dado institucional. É um marco prático.
O Co-fundador, Adam Norman Jenkins, foi aceito pelo Tribunal como perito e prestou depoimento sobre a metodologia e as conclusões do relatório sob juramento. A análise apresentada tratava de comunicação digital em um contexto de disputa familiar, com foco em indicadores comportamentais identificados a partir das interações entre as partes.
Esse ponto merece atenção porque grande parte da discussão sobre IA no Direito ainda permanece em um campo abstrato. Fala-se muito sobre potencial, riscos, tendências e limites. Mas, neste caso, a tecnologia saiu da demonstração e entrou em um ambiente onde metodologia, confiabilidade e possibilidade de contestação importam de forma concreta.
Em um processo real, uma análise precisa resistir a critérios muito diferentes daqueles usados em uma apresentação comercial. O material precisa ser compreensível, a metodologia precisa ser explicada, as conclusões precisam ser sustentadas e o profissional responsável precisa responder por elas. Por isso esse momento é relevante.
A admissão de um relatório de análise comportamental por IA em Corte de Família mostra que esse tipo de tecnologia começa a ser testado no lugar onde sua utilidade realmente importa: diante de fatos, partes, contraditório e decisão judicial.
No Direito de Família, isso tem um peso especial. Mensagens, áudios, vídeos e e-mails frequentemente deixam de ser meros anexos e passam a formar parte central da narrativa do caso. Eles podem registrar padrões de comunicação, mudanças de tom, episódios de tensão, tentativas de acordo, comportamento abusivo, manipulação, ameaças ou sinais de cooperação.
O problema é que esse material raramente chega organizado. Muitas vezes são meses ou anos de comunicação digital, espalhados em diferentes formatos, com contexto fragmentado e alta carga emocional. Para o advogado, isso significa horas de revisão manual. Para o cliente, muitas vezes significa reviver repetidamente situações difíceis. Para o processo, pode significar demora, ruído e dificuldade de transformar volume em clareza.
A análise comportamental aplicada a esse tipo de comunicação não substitui o advogado, o perito ou o julgador. O valor está em outra etapa: estruturar o material, identificar padrões relevantes, organizar evidências e permitir que a análise humana aconteça a partir de uma base mais clara.
Esse é o ponto que separa uma ferramenta tecnológica interessante de uma aplicação jurídica relevante.

O relatório admitido na Corte de Família não decidiu o caso por si só. Ele foi apresentado dentro de um processo, por meio de metodologia explicada e com depoimento pericial sob juramento. Essa distinção é importante, especialmente em um momento em que o mercado ainda confunde inteligência artificial com automação sem responsabilidade.
A experiência mostra uma direção mais madura para a IA no Direito: não a tecnologia que promete respostas automáticas, mas a que ajuda a tornar informações complexas mais organizadas, revisáveis e úteis para a prática jurídica.
Para a EuDisseVocêDisse.com, esse marco confirma uma convicção que orienta o desenvolvimento da plataforma desde o início. A comunicação digital já ocupa um papel central nos conflitos familiares. Se a prova mudou, a forma de analisá-la também precisa evoluir.
Essa evolução não acontece em uma demonstração, acontece quando o relatório chega ao processo, é explicado em tribunal e passa pelo teste da prática real.
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