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Ministra do TST diz que mudança da escala 6×1 para 5×2 já é uma realidade e defende amadurecimento do tema da pejotização

Em entrevista à Lawletter em Oeiras, ministra do TST avalia que a nova escala 5x2 já é cenário concreto e pede definição sobre a pejotização.

Créditos da imagem: Pedro França/Agência Senado

A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Morgana de Almeida Richa afirmou, em entrevista exclusiva à Lawletter durante o Diálogos sobre Inovação & Direito, em Oeiras (Portugal), que a alteração da jornada de trabalho de 44 horas semanais e da escala 6×1 para 5×2 deixou de ser hipótese e passou a ser um cenário concreto. A ministra apontou o anseio social e o avanço da tramitação legislativa como fatores que sustentam essa leitura.

Richa lembrou que a PEC que trata do tema já foi aprovada na Câmara dos Deputados por margem expressiva, com quase 500 votos, mais de 90% dos deputados federais, e segue agora para análise do Senado. Para ela, o papel do jurista diante desse quadro é fazer uma leitura técnica e problematizar os efeitos da proposta, sem aderir de antemão a defensores ou detratores.

É uma realidade porque há um anseio social retumbante, há uma aprovação já da PEC na Câmara dos Deputados, cuja votação foi largamente expressiva.


Morgana de Almeida Richa

Ministra do Tribunal Superior do Trabalho · 31.05.2026

A pejotização parada no STF

Questionada sobre a discussão da pejotização, hoje suspensa por estar sob análise do Supremo Tribunal Federal, a ministra reconheceu a ansiedade por uma definição, diante de milhares de processos sobrestados que dependem dessa parametrização. Ela situou o debate como uma evolução do tema da terceirização e atribuiu ao Congresso Nacional o papel central de legislar sobre o assunto, de modo a trazer mais segurança jurídica. Enquanto isso não ocorre, observou, cabe ao Judiciário responder ao que está posto nos processos, e aos tribunais superiores dar balizas para toda a magistratura.

Richa avaliou que, embora a definição precise se aproximar, há valor no tempo de maturação de questões dessa complexidade. Citou o uso de audiências públicas pelo Supremo como mecanismo que permite aos ministros conhecer a realidade concreta antes de decidir, ainda que tenha ponderado os limites dessa espera.

Há processos suspensos, e isso acaba tendo uma escala de milhares, cuja resposta depende dessa parametrização. Pessoalmente, o amadurecimento não é ruim, mas também não dá para demorar demais.


Morgana de Almeida Richa

Ministra do Tribunal Superior do Trabalho · 31.05.2026

Ao tratar do pano de fundo das duas questões, a ministra observou que o Direito do Trabalho é reflexivo e olha para trás, o que cria descompasso diante de fatos sociais novos como as novas formas contratuais, a automação e a inteligência artificial. Para ela, sem resposta imediata da legislação, cabe ao intérprete recorrer a balizas técnicas, mecanismos internacionais e modelos comparados, enquanto o protagonismo da regulação permanece com o Congresso.


Redação Lawletter | cobertura in loco, Oeiras (Portugal)

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